Fala-nos, Santa Clara de Assis
Por Helber Clayton
Neste dia 11 de agosto a Igreja lembrou de Santa Clara de Assis, virgem, grande exemplo de entrega a Deus e ao próximo, cuja vida, como diz o pequeno histórico na Liturgia das Horas, “foi de grande austeridade, mas rica em obras de caridade e de piedade”.
Este ano tive a graça de visitar aquela pequena cidade no coração da Itália onde podemos contemplar o corpo adormecido da serena Dama de Assis.
A impressão que temos naquele lugar onde reina a paz da oração, é que Clara e Francisco ainda vivem lá. Aliás, não é apenas impressão. De algum modo eles ainda vivem. De algum modo eles ainda nos falam ao coração, pois, ao estar ali, recordamos o modo simples e radical de viver o Evangelho que ainda hoje reverbera no mundo inteiro. Assis fala-nos diretamente à alma mais do que  qualquer palavra exuberante ou bem elaborada.
O corpo de Santa Clara não está incorrupto como muitos pensam. Ele foi cuidadosamente restaurado para ser exposto à visitação, mantendo “a personalidade de mulher fascinante, ardente, terna, sensível, segura e muito equilibrada”*. A princípio podemos nos perguntar o porque  disso? Por que tanto cuidado com simples restos mortais? Quem vai a Assis e desce à cripta abaixo do altar da Basílica de Santa Clara sabe a resposta. Lá está ela, silente e jovial. A mesma que, enquanto viva, manifestou a Assis e ao mundo a verdadeira nobreza espiritual. Vendo seu corpo, lembramos de sua obra. Quando estávamos no sepulcro Santa Clara, um dos irmãos que estavam conosco sussurrou-nos extasiado: “Olha só para ela, que linda! Não morreu. Só está dormindo!”
De fato. Olhando para o corpo “dormido” de Santa Clara, contemplamos a vida que vai além de sua existência natural. O corpo adormece, mas a vida espiritual ainda pulsa. Seu caminho de santidade ainda pode ser seguido, suas palavras ainda ecoam e ainda conquistam. As ruas da cidade ainda estão cheias da sua doutrina. Seu exemplo serve para nós ainda hoje.
Olhando para Clara podemos dizer à irmã Morte: “Onde está a tua vitória? Onde está o teu aguilhão?” (I Cor 15,55), pois embora possa fazer sucumbir o corpo, nem tu, ó Morte, és capaz de vencer a Cristo e seus verdadeiros seguidores, pois a luz de suas almas imortais continuará brilhando pelos séculos sem fim.
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*Fr. Vitório Mazzuco Filho, O Corpo de Clara. (http://www.franciscanos.org.br/?p=5227)

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