IV SEGUNDA-FEIRA
V. Vinde, ó Deus em meu auxílio.
R. Socorrei-me sem demora.
Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
Como era no princípio, agora e sempre. Amém. Aleluia.
Esta introdução se omite quando o Invitatório precede imediatamente ao Ofício das Leituras.
Hino
I. Quando se diz o Ofício das Leituras durante a noite ou de madrugada:
Chegou o tempo para nós,
segundo o anúncio do Senhor,
em que virá do céu o Esposo,
do reino eterno o Criador.
A seu encontro as virgens sábias
correm, levando em suas mãos
lâmpadas vivas, luminosas,
cheias de imensa exultação.
Pelo contrário, as virgens loucas
lâmpadas levam apagadas
e, em vão, do Rei batem às portas,
que já se encontram bem fechadas.
Sóbrios, agora vigiemos
para que, vindo o Rei das gentes,
coramos logo ao seu encontro,
com nossas lâmpadas ardentes.
Divino Rei, fazei-nos dignos
do Reino eterno, que já vem,
e assim possamos para sempre
vosso louvor cantar. Amém.
II. Quando se diz o Ofício das Leituras durante o dia:
Dos santos vida e esperança,
Cristo, caminho e salvação,
luz e verdade, autor da paz,
a vós, louvor e adoração.
Vosso poder se manifesta
nas vidas santas, ó Senhor.
Tudo o que pode e faz o justo,
traz o sinal do vosso amor.
Concedei paz aos nossos tempos,
força na fé, cura ao doente,
perdão àqueles que caíram;
a todos, vida, eternamente!
Igual louvor ao Pai, ao Filho,
e ao Santo Espírito também
seja cantado em toda parte
hoje e nos séculos. Amém.
Salmodia
Ant. 1 Como Deus é tão bondoso para os justos,
para aqueles que têm puro o coração! †
Salmo 72(73)
O sofrimento do justo
Feliz aquele que não se escandaliza por causa de mim (Mt 11,6).
I
–1 Como Deus é tão bondoso para os justos, *
para aqueles que têm puro o coração!
–2 † Mas por pouco os meus pés não resvalaram, *
e quase escorregaram os meus passos;
–3 cheguei a ter inveja dos malvados, *
ao ver o bem-estar dos pecadores.
–4 Para eles não existe sofrimento, *
seus corpos são robustos e sadios;
–5 não sofrem a dureza do trabalho *
nem conhecem a aflição dos outros homens.
–6 Eles fazem do orgulho o seu colar, *
da violência, uma veste que os envolve;
–7 transpira a maldade de seu corpo, *
transbordam falsidade suas mentes.
–8 Zombam do bem e elogiam o que é mau, *
exaltam com orgulho a opressão;
–9 investe sua boca contra o céu, *
e sua língua envenena toda a terra.
–10 Por isso vai meu povo procurá-los *
e beber com avidez nas suas fontes;
–11 eles dizem: “Por acaso Deus entende, *
e o Altíssimo conhece alguma coisa?”
–12 Olhai bem, pois são assim os pecadores, *
que tranqüilos amontoam suas riquezas.
– Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. *
Como era no princípio, agora e sempre. Amém.
Ant. Como Deus é tão bondoso para os justos,
para aqueles que têm puro o coração!
Ant. 2 Os maus que hoje riem, amanhã hão de chorar.
II
–13 Será em vão que guardei puro o coração *
e lavei na inocência minhas mãos?
–14 Porque sou chicoteado todo o tempo *
e recebo meus castigos cada dia.
–15 Se eu pensasse: “Vou fazer igual a eles”, *
trairia a geração dos vossos filhos.
–16 Pus-me então a refletir sobre este enigma, *
mas pareceu-me uma tarefa bem difícil.
–17 Até que um dia, penetrando esse mistério, *
compreendi qual é a sorte que os espera,
–18 pois colocais os pecadores num declive, *
e vós mesmo os empurrais para a desgraça.
–19 Num instante eles caíram na ruína, *
acabaram e morreram de terror!
–20 Como um sonho ao despertar, ó Senhor Deus, *
ao levantar-vos, desprezais a sua imagem.
– Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. *
Como era no princípio, agora e sempre. Amém.
Ant. Os maus que hoje riem, amanhã hão de chorar.
Ant. 3 Haverão de perecer os que vos deixam;
para mim só há um bem: é estar com Deus.
III
–21 Quando então se revoltava o meu espírito, *
e dentro em mim o coração se atormentava,
–22 eu, estulto, não podia compreender; *
perante vós me comportei como animal.
–23 Mas agora eu estarei sempre convosco, *
porque vós me segurastes pela mão;
–24 vosso conselho vai guiar-me e conduzir-me, *
para levar-me finalmente à vossa glória!
–25 Para mim, o que há no céu fora de vós? *
Se estou convosco, nada mais me atrai na terra!
=26 Mesmo que o corpo e o coração se vão gastando, †
Deus é o apoio e o fundamento da minh’alma, *
é minha parte e minha herança para sempre!
–27 Eis que haverão de perecer os que vos deixam, *
exterminais os que sem vós se prostituem.
–28 Mas para mim só há um bem: é estar com Deus *
é colocar o meu refúgio no Senhor
– e anunciar todas as vossas maravilhas *
junto às portas da cidade de Sião.
– Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. *
Como era no princípio, agora e sempre. Amém.
Ant. Haverão de perecer os que vos deixam;
para mim só há um bem: é estar com Deus.
V. Como é doce ao paladar vossa palavra.
R. Muito mais doce do que o mel na minha boca!
Primeira leitura
Da Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios 1,15–2,11
Por que o Apóstolo alterou seu roteiro
Irmãos: 1,15 Nesta confiança tinha resolvido primeiro ir ter convosco para que recebêsseis
uma dupla graça: 16passaria por vós, ao dirigir-me à Macedônia, e ao voltar iria
novamente visitar-vos, e daí seria por vós encaminhado até a Judéia. 17Formando este
propósito, será que agi levianamente? Ou será que me proponho as coisas levado por
sentimentos humanos, de maneira que haja em mim sim e não? 18Eu vos asseguro, pela
fidelidade de Deus: O ensinamento que vos transmitimos não é “sim-e-não”. 19Pois o
Filho de Deus, Jesus Cristo, que nós – a saber: eu, Silvano e Timóteo – pregamos entre
vós, nunca foi “sim-e-não”, mas somente “sim”. 20Com efeito, é nele que todas as
promessas de Deus têm o seu “sim” garantido. Por isso também é por ele que dizemos
“amém” a Deus, para a sua glória. 21É Deus que nos confirma, a nós e a vós, em nossa
adesão a Cristo, como também é Deus que nos ungiu. 22Foi ele que nos marcou com o
seu selo e nos adiantou como sinal o Espírito derramado em nossos corações.
23Por minha vida, tomo a Deus como testemunha, que foi para vos poupar que eu não
voltei mais a Corinto. 24Não pretendemos ser donos de vossa fé; pelo contrário,
queremos colaborar para a vossa alegria. Quanto à fé, estais firmes.
2,1 Por isso, resolvi não voltar à vossa comunidade com o coração triste. 2Pois, se eu
acabo por vos contristar, quem é, então, que me vai alegrar? Aqueles que eu tiver
contristado? 3Aliás, se eu vos escrevi o que bem sabeis, foi para não acontecer que,
chegando eu entre vós, tivesse tristeza da parte daqueles dos quais deveria sempre
alegrar-me. Ademais, estou convencido, quanto a vós todos, que a minha alegria é a
alegria de todos vós. 4Na verdade, foi levado por grande aflição e angústia de coração
que vos escrevi, em meio a muitas lágrimas, e não foi para ficardes tristes, mas para que
percebêsseis a extrema afeição que vos tenho.
5E se alguém foi causa de tristeza, não o foi para mim, mas, até certo ponto, para todos
vós. Digo isso sem nenhum exagero. 6Para esse tal basta a censura por parte da
comunidade. 7Agora, pelo contrário, é melhor que vos mostreis indulgentes com ele e
que o animeis, para que ele não venha a consumir-se de tristeza. 8Por isso, eu vos exorto
a dardes prova de amor para com ele. 9Aliás, eu vos escrevi para isto, para experimentar
se sois obedientes em tudo. 10A quem perdoardes alguma coisa, eu também perdôo. Na
verdade, eu já perdoei, se, naturalmente, tive alguma coisa a perdoar. E assim procedi
por causa de vós, sob o olhar da pessoa de Cristo, 11para que não sejamos iludidos por
satanás, pois não ignoramos suas maquinações.
Responsório 2Cor 1,21-22; cf Dt 5,2.4
R. Aquele que em Cristo nos confirma,
nos ungiu e nos marcou como seu selo,
* E deu aos nossos corações o seu Espírito,
garantia e penhor da vida eterna.
V. Nosso Deus firmou conosco uma aliança,
o Senhor falou conosco face a face. * E deu.
Segunda leitura
Da Carta aos Magnésios, de Santo Inácio de Antioquia, bispo e mártir
(Nn.6,1-9,2: Funk 1,195-199)
(Séc.I)
Uma só oração, uma esperança na caridade,
na santa alegria
Contemplando na fé e amando, nas pessoas acima mencionadas, toda a comunidade, eu
vos exorto a empregardes todo o empenho em fazer tudo na concórdia de Deus, sob a
presidência do bispo, em lugar de Deus, e dos presbíteros em lugar do senado
apostólico, bem como dos diáconos, meus caríssimos. A eles, com efeito, foi confiado o
ministério de Jesus Cristo, que antes dos séculos era com o Pai e apareceu no fim dos
tempos. Todos, então, recebida a mesma vida divina, respeitai-vos mutuamente e
ninguém considere o próximo segundo a carne, mas amai-vos sempre uns aos outros em
Jesus Cristo. Nada haja em vós que vos possa separar. Uni-vos ao bispo e aos que
presidem, como uma figura e demonstração da imortalidade.
Da mesma forma que, sem o Pai unido a ele, o Senhor nada fez por si nem pelos
apóstolos, assim também vós, sem o bispo e os presbíteros, nada executeis. Também
não tenteis fazer passar por coisa boa o que se fizer em separado. Reunindo-vos, porém,
seja uma só oração, uma só súplica, um só modo de pensar, uma só esperança na
caridade, na santa alegria, pois um só é Jesus Cristo, mais excelente do que tudo.
Acorrei todos como a um só templo de Deus, como a um só altar, a um só Jesus Cristo,
que proveio de um só Pai, com ele só esteve e a ele voltou.
Não vos deixeis seduzir por doutrinas estranhas e velhas e inúteis fábulas. Se ainda
vivemos de acordo com a lei judaica, confessamos não ter ainda recebido a graça. Pois
os santos profetas já viveram em conformidade com Jesus Cristo. Por este motivo,
inspirados por sua graça, sofreram perseguição, a fim de incutir certeza nos incrédulos
de que há um só Deus, que se manifestou por Jesus Cristo, seu Filho, seu Verbo brotado
do silêncio, que em tudo agradou àquele que o enviara.
Há quem negue a ressurreição de Cristo. Como isto é possível, se por ela recebemos o
mistério da fé e por sua causa nos constituímos discípulos de Cristo, nosso único
doutor? Se, pois, os que viveram sob a antiga economia chegaram à nova esperança, e
assim não mais respeitam o sábado, porém, o domingo, no qual nossa vida ressurgiu por
Cristo e sua morte, como poderemos viver sem ele, a quem os profetas esperaram como
mestre e de quem já eram discípulos pelo espírito? Por esta razão, ao vir aquele a quem
esperavam com justiça, foram ressuscitados dos mortos.
Responsório Cf. 1Pd 3,8.9b; Rm 12,10-11c
R. Sede todos unânimes, compassivos, fraternos,
todos compadecidos, modestos e humildes.
* Porque para isso é que fostes chamados,
a fim de alcançardes a herança da bênção.
V. Uns aos outros amai-vos com amor fraternal;
adiantai-vos aos outros em gestos de estima,
fervorosos de espírito, servindo ao Senhor.
* Porque.
Oração
Ó Deus, sede generoso para com os vossos filhos e filhas e multiplicai em nós os dons
da vossa graça, para que, repletos de fé, esperança e caridade, guardemos fielmente os
vossos mandamentos. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do
Espírito Santo.
Conclusão da Hora
V. Bendigamos ao Senhor.
R. Demos graças a Deus.