II QUINTA-FEIRA

 

Invitatório

 ___________________________________________________

 

Ofício das Leituras

 

 

V. Vinde, ó Deus em meu auxílio.
 
R. Socorrei-me sem demora.
 Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
 Como era no princípio, agora e sempre. Amém. Aleluia.

Esta introdução se omite quando o Invitatório precede imediatamente ao Ofício das Leituras.

 

Hino

I. Quando se diz o Ofício das Leituras durante a noite ou de madrugada:

Do dia o núncio alado

já canta a luz nascida.

O Cristo nos desperta,

chamando-nos à vida.

 

Ó fracos, ele exclama,

do sono estai despertos

e, castos, justos, sóbrios,

velai: estou já perto!

 

E quando a luz da aurora

enche o céu de cor,

confirme na esperança

quem é trabalhador.

 

Chamemos por Jesus

com prantos e orações.

A súplica não deixe

dormir os corações.

 

Tirai o sono, ó Cristo,

rompei da noite os laços,

da culpa libertai-nos,

guiai os nossos passos.

 

A vós a glória, ó Cristo,

louvor ao Pai também,

com vosso Santo Espírito,

agora e sempre. Amém.

 

II. Quando se diz o Ofício das Leituras durante o dia:

Para vós, doador do perdão,

elevai os afetos do amor,

tornai puro o profundo das almas,

sede o nosso fiel Salvador.

 

Para cá, estrangeiros, viemos,

exilados da pátria querida.

Sois o porto e também sois o barco,

conduzi-nos aos átrios da vida!

 

É feliz quem tem sede de vós,

fonte eterna de vida e verdade.

São felizes os olhos do povo

que se fixam em tal claridade.

 

Grandiosa é, Senhor, vossa glória,

na lembrança do vosso louvor,

que os fiéis comemoram na terra,

elevando-se a vós pelo amor.

 

Este amor concedei-nos, ó Pai,

e vós, Filho do Pai, Sumo Bem,

com o Espírito Santo reinando

pelos séculos dos séculos. Amém.

 

Salmodia

 

Ant. 1 Fostes vós que nos salvastes, ó Senhor!

Para sempre louvaremos vosso nome.

 

Salmo 43(44)

 

Calamidades do povo

Em tudo isso, somos mais que vencedores, graças àquele que nos amou! (Rm 8,37).

 

I

2 Ó Deus, nossos ouvidos escutaram, *

e contaram para nós, os nossos pais,

– as obras que operastes em seus dias, *

em seus dias e nos tempos de outrora:

 

=3 Expulsastes as nações com vossa mão, †

e plantastes nossos pais em seu lugar; *

para aumentá-los, abatestes outros povos.

4 Não conquistaram essa terra pela espada, *

nem foi seu braço que lhes deu a salvação;

 

– foi, porém, a vossa mão e vosso braço *

e o esplendor de vossa face e o vosso amor.

5 Sois vós, o meu Senhor e o meu Rei, *

que destes as vitórias a Jacó;

6 com vossa ajuda é que vencemos o inimigo, *

por vosso nome é que pisamos o agressor.

 

7 Eu não pus a confiança no meu arco, *

a minha espada não me pôde libertar;

8 mas fostes vós que nos livrastes do inimigo, *

e cobristes de vergonha o opressor.

9 Em vós, ó Deus, nos gloriamos todo dia, *

celebrando o vosso nome sem cessar.

 

– Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. *

Como era no princípio, agora e sempre. Amém.

 

Ant. Fostes vós que nos salvastes, ó Senhor!

Para sempre louvaremos vosso nome.

 

Ant. 2 Perdoai, ó Senhor, o vosso povo,

não entregueis à vergonha a vossa herança!

 

II

10 Porém, agora nos deixastes e humilhastes, *

já não saís com nossas tropas para a guerra!

11 Vós nos fizestes recuar ante o inimigo, *

os adversários nos pilharam à vontade.

 

12 Como ovelhas nos levastes para o corte, *

e no meio das nações nos dispersastes.

13 Vendestes vosso povo a preço baixo, *

e não lucrastes muita coisa com a venda!

 

14 De nós fizestes o escárnio dos vizinhos, *

zombaria e gozação dos que nos cercam;

15 para os pagãos somos motivo de anedotas, *

zombam de nós a sacudir sua cabeça.

 

16 À minha frente trago sempre esta desonra, *

e a vergonha se espalha no meu rosto,

17 ante os gritos de insultos e blasfêmias *

do inimigo sequioso de vingança.

 

– Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. *

Como era no princípio, agora e sempre. Amém.

 

Ant. Perdoai, ó Senhor, o vosso povo,

não entregueis à vergonha a vossa herança!

 

Ant. 3 Levantai-vos, ó Senhor, e socorrei-nos,

libertai-nos pela vossa compaixão!

 

II

18 E tudo isso, sem vos termos esquecido *

e sem termos violado a Aliança;

19 sem que o nosso coração voltasse atrás, *

nem se afastassem nossos pés de vossa estrada!

20 Mas à cova dos chacais nos entregastes *

e com trevas pavorosas nos cobristes!

 

21 Se tivéssemos esquecido o nosso Deus *

e estendido nossas mãos a um Deus estranho,

22 Deus não teria, por acaso, percebido, *

ele que vê o interior dos corações?

23 Por vossa causa nos massacram cada dia *

e nos levam como ovelha ao matadouro!

 

24 Levantai-vos, ó Senhor, por que dormis? *

Despertai! Não nos deixeis eternamente!

25 Por que nos escondeis a vossa face *

e esqueceis nossa opressão, nossa miséria?

 

26 Pois arrasada até o pó está noss’alma *

e ao chão está colado o nosso ventre.

– Levantai-vos, vinde logo em nosso auxílio, *

libertai-nos pela vossa compaixão!

 

– Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. *

Como era no princípio, agora e sempre. Amém.

 

Ant. Levantai-vos, ó Senhor, e socorrei-nos,

libertai-nos pela vossa compaixão!

 

V. A quem nós iremos, Senhor Jesus Cristo?

R. Só tu tens palavras de vida eterna.

 

 Primeira leitura

Do Livro do Deuteronômio 9,7-21.25-29

 

Os pecados do povo e a intercessão de Moisés

 Naqueles dias, Moisés falou ao povo, dizendo:

7“Lembra-te, não te esqueças de que modo provocaste a ira do Senhor teu Deus no

deserto. Desde o dia em que saíste do Egito até chegares a este lugar, foste rebelde ao

Senhor. 8Já em Horeb o provocastes e ele, irado, vos quis exterminar. 9Quando subi à

montanha para receber as tábuas de pedra, as tábuas da aliança que o Senhor havia

concluído convosco, fiquei lá quarenta dias e quarenta noites, sem comer pão nem beber

água. 10Então o Senhor me deu as duas tábuas de pedra escritas com o dedo de Deus,

nas quais estavam todas as palavras que o Senhor vos tinha dito na montanha, do meio

do fogo, quando todo o povo estava reunido. 11E, passados quarenta dias e outras tantas

noites, o Senhor me deu as duas tábuas de pedra, as tábuas da aliança, 12e me disse:

‘Levanta-te, desce imediatamente daqui, porque pecou o povo que tiraste do Egito.

Depressa se desviaram do caminho que lhes prescrevi, fazendo para si uma imagem

fundida’. 13E o Senhor tornou a dizer-me: ‘Já vi que este é um povo de cabeça dura.

 

14Deixa-me destruí-lo e apagar o seu nome debaixo dos céus. Mas de ti farei uma nação

mais poderosa e mais numerosa do que este povo’.15Pus-me, então, a descer a montanha

que estava toda em fogo, trazendo em minhas mãos as duas tábuas da aliança. 16E

olhando, percebi que havíeis pecado contra o Senhor vosso Deus. Tínheis feito um

bezerro fundido, não tardando a afastar-vos do caminho que o Senhor vos traçara.

17Tomei, então, as duas tábuas e com minhas mãos arremessei-as ao chão, quebrando-as

ante os vossos olhos. 18Depois prostrei-me na presença do Senhor, como da primeira

vez, durante quarenta dias e quarenta noites, sem comer pão nem beber água, por causa

dos pecados que havíeis cometido, fazendo o que desagrada ao Senhor, provocando-o à

ira. 19Temi, então, sua indignação e sua cólera, com que o Senhor vos ameaçava, a

ponto de vos querer exterminar. Mas ainda desta vez o Senhor me ouviu. 20O Senhor

também estava fortemente irritado contra Aarão e queria fazê-lo perecer, mas então eu

intercedi também em favor de Aarão. 21Quanto à obra do vosso pecado, o bezerro que

tínheis feito, agarrei-o e atirei-o ao fogo. Depois de esmigalhá-lo bem, até reduzi-lo ao

pó, lancei o pó à água da torrente que desce da montanha.

 

25E estive prostrado diante do Senhor, quarenta dias e quarenta noites, durante os quais

lhe rogava humildemente que não vos exterminasse como tinha ameaçado. 26E orando,

disse: Senhor Deus, não destruas o teu povo e a tua herança que tu resgataste com a tua

grandeza, e tiraste do Egito com mão forte. 27Lembra-te de teus servos Abraão, Isaac e

Jacó; não olhes para a obstinação deste povo, nem para a sua impiedade e seu pecado;

28para que os habitantes do país donde nos tiraste não digam: ‘O Senhor não podia

introduzi-los na terra que lhes tinha prometido. Tirou-os daqui, porque os odiava, para

fazê-los morrer no deserto’. 29Eles, no entanto, são teu povo e tua herança, que tiraste do

Egito com teu grande poder e teu braço estendido”.

 

Responsório Cf. Ex 32,11.13.14; 33,17

 

R. Moisés pediu e suplicou na presença do Senhor:

Por que, Senhor, vos irritais assim contra o vosso povo?

Acalmai a vossa ira e lembrai-vos de Abraão,

de Isaac e de Jacó a quem jurastes dar a terra

onde corem leite e mel!

* E o Senhor se arrependeu do mal que ameaçara

fazer contra o seu povo.

V. O Senhor disse a Moisés: Tu tens todo o meu favor

e te conheço mais que a todos. * E o Senhor.

 

Segunda leitura

Da Carta de São Fulgêncio de Ruspe, bispo

 

(Epist. 14,36-37: CCL 91,429-431)        (Séc.VI)

 

Cristo, sempre vivo, intercede por nós

 Antes do mais, chama-nos a atenção que, na conclusão das orações, dizemos: “por

nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho” e nunca: “pelo Espírito Santo”. Não é sem

motivo que a Igreja católica o repete, por causa do mistério do mediador entre Deus e

os homens, Jesus Cristo homem, sacerdote segundo a ordem de Melquisedec, que com

seu próprio sangue entrou uma vez por todas no santuário, não feito por mãos de

homens, figura do verdadeiro, mas no próprio céu,onde está à direita de Deus e

intercede por nós.

 

Contemplando esta função pontifical, diz o Apóstolo: Por ele ofereçamos sempre o

sacrifício de louvor, o fruto dos lábios daqueles que confessam seu nome. Por

conseguinte, por ele oferecemos o sacrifício de louvor e da prece, pois, mediante a sua

morte, fomos reconciliados, nós os inimigos. Por ele, que se dignou tornar-se sacrifício

em nosso favor, o nosso sacrifício pode ser bem aceito diante de Deus. São Pedro

adverte-nos, dizendo: E vós, quais pedras vivas, entrais na edificação deste edifício

espiritual, no sagrado sacerdócio, oferecendo vítimas espirituais agradáveis a Deus,

por Jesus Cristo. É esta a razão que nos faz dizer: “Por nosso Senhor Jesus Cristo”.

 

Quando se menciona o sacerdote, que vem à mente a não ser o mistério da encarnação

do Senhor? Mistério do Filho de Deus que, embora de condição divina, aniquilou-se a

si mesmo, assumindo a forma de escravo; em sua humilhação, fez-se obediente até à

morte; a saber, feito um pouco menor do que os anjos, possuindo, embora, a igualdade

com Deus Pai. O Filho se diminuiu, permanecendo igual ao Pai, porquanto se dignou

assemelhar-se aos homens. Tornou-se o menor, quando se aniquilou a si mesmo,

tomando a forma de servo. A diminuição de Cristo é seu aniquilamento, mas o

aniquilamento consiste na aceitação da forma de servo.

 

Cristo, permanecendo na forma de Deus o unigênito de Deus, a quem juntamente com o

Pai oferecemos sacrifícios, tomou a forma de servo, tornando-se sacerdote. Assim, por

ele, podemos oferecer um sacrifício vivo, santo e agradável a Deus. Nunca nos seria

possível oferecer tal sacrifício se Cristo não se houvesse tornado, ele mesmo, sacrifício

para nós. Nele, a própria natureza do gênero humano é o verdadeiro sacrifício de

salvação.

 

Com efeito, quando nos apresentamos para oferecer, mediante nosso eterno sacerdote e

senhor, nossas orações, afirmamos ter ele a verdadeira carne de nossa raça. O Apóstolo

já dissera: Todo pontífice é escolhido dentre os homens e a favor dos homens é

constituído para as coisas que dizem respeito a Deus, a oferecer dons e sacrifícios

pelos pecados. Quando, porém, dizemos: “Vosso Filho” e acrescentamos: “que

convosco vive e reina na unidade do Espírito Santo”, comemoramos aquela unidade

naturalmente existente entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Daí se deduz ser o Cristo

o que exerce a função sacerdotal para nós, o mesmo a quem pertence, por natureza, a

unidade com o Pai e o Espírito Santo.

 

Responsório Hb 4,16.15a

 

R. Confiantes acheguemo-nos ao trono onde está a graça,

* Para obter misericórdia, e o auxílio encontrar

como ajuda oportuna.

V. Pois, não temos um pontífice que não possa condoer-se

das fraquezas que nós temos. * Para obter.

 

Oração

 

Deus eterno e todo-poderoso, que governais o céu e a terra, escutai com bondade as

preces do vosso povo e dai ao nosso tempo a vossa paz. Por nosso Senhor Jesus Cristo,

vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

Conclusão da Hora

V. Bendigamos ao Senhor.

R. Graças a Deus.