III SÁBADO

 

V. Vinde, ó Deus em meu auxílio.
 
R. Socorrei-me sem demora.
 Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
 Como era no princípio, agora e sempre. Amém. Aleluia.
 

Esta introdução se omite quando o Invitatório precede imediatamente ao Ofício das Leituras.

 

Hino

 

I. Quando se diz o Ofício das Leituras durante a noite ou de madrugada:

 

Reinais no mundo inteiro,

Jesus, ó sol divino;

deixamos nossos leitos,

cantando este hino.

 

Da noite na quietude,

do sono levantamos:

mostrando as nossas chagas,

remédio suplicamos.

 

Oh! quanto mal fizemos,

por Lúcifer levados:

que a glória da manhã

apague esses pecados!

 

E assim o vosso povo,

por vós iluminado,

jamais venha a tombar

nos laços do Malvado.

 

A glória seja ao Pai,

ao Filho seu também;

ao Espírito igualmente,

agora e sempre. Amém.

 

II. Quando se diz o Ofício das Leituras durante o dia:

 

Cristo, em nossos corações

infundi a caridade.

Nossos olhos chorem lágrimas

de ternura e piedade.

 

Para vós, Jesus piedoso,

nossa ardente prece erguemos.

Perdoai-nos, compassivo,

todo o mal que cometemos.

 

Pelo vosso santo corpo,

pela cruz, vosso sinal,

vosso povo, em toda parte,

defendei de todo o mal.

 

A vós, Cristo, Rei clemente,

e a Deus Pai, eterno Bem,

com o vosso Santo Espírito

honra e glória sempre. Amém.

 

Salmodia

 

Ant. 1 Estou cansado de gritar e de esperar pelo meu Deus.

 

Salmo 68(69),2-22.30-37

 

O zelo pela vossa casa me devora

Deram vinho misturado com fel para Jesus beber (Mt 27,34).

 

I

2 Salvai-me, ó meu Deus, porque as águas *

até o meu pescoço já chegaram!

3 Na lama do abismo eu me afundo *

e não encontro um apoio para os pés.

– Nestas águas muito fundas vim cair, *

e as ondas já começam a cobrir-me!

 

4 À força de gritar, estou cansado; *

minha garganta já ficou enrouquecida.

– Os meus olhos já perderam sua luz, *

de tanto esperar pelo meu Deus!

 

5 Mais numerosos que os cabelos da cabeça, *

são aqueles que me odeiam sem motivo;

– meus inimigos são mais fortes do que eu; *

contra mim eles se voltam com mentiras!

 

– Por acaso poderei restituir *

alguma coisa que de outros não roubei?

6 Ó Senhor, vós conheceis minhas loucuras, *

e minha falta não se esconde a vossos olhos.

 

7 Por minha causa não deixeis desiludidos *

os que esperam sempre em vós, Deus do universo!

– Que eu não seja a decepção e a vergonha *

dos que vos buscam, Senhor Deus de Israel!

 

8 Por vossa causa é que sofri tantos insultos, *

e o meu rosto se cobriu de confusão;

9 eu me tornei como um estranho a meus irmãos, *

como estrangeiro para os filhos de minha mãe.

 

10 Pois meu zelo e meu amor por vossa casa *

me devoram como fogo abrasador;

– e os insultos de infiéis que vos ultrajam *

recaíram todos eles sobre mim!

 

11 Se aflijo a minha alma com jejuns, *

fazem disso uma razão para insultar-me;

12 se me visto com sinais de penitência, *

eles fazem zombaria e me escarnecem!

13 Falam de mim os que se assentam junto às portas, *

sou motivo de canções, até de bêbados!

 

– Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. *
Como era no princípio, agora e sempre. Amém.

 

Ant. Estou cansado de gritar e de esperar pelo meu Deus.

 

Ant. 2 Deram-me fel como se fosse um alimento,

em minha sede ofereceram-me vinagre.

 

 

II

14 Por isso elevo para vós minha oração, *

neste tempo favorável, Senhor Deus!

– Respondei-me pelo vosso imenso amor, *

pela vossa salvação que nunca falha!

 

=15 Retirai-me deste lodo, pois me afundo! †

Libertai-me, ó Senhor, dos que me odeiam, *

e salvai-me destas águas tão profundas!

=16 Que as águas turbulentas não me arrastem, †

não me devorem violentos turbilhões, *

nem a cova feche a boca sobre mim!

 

17 Senhor, ouvi-me pois suave é vossa graça, *

ponde os olhos sobre mim com grande amor!

18 Não oculteis a vossa face ao vosso servo! *

Como eu sofro! Respondei-me bem depressa!

19 Aproximai-vos de minh’alma e libertai-me, *

apesar da multidão dos inimigos!

 

=20 Vós conheceis minha vergonha e meu opróbrio, †

minhas injúrias, minha grande humilhação; *

os que me afligem estão todos ante vós!

21 O insulto me partiu o coração; *

não suportei, desfaleci de tanta dor!

 

= Eu esperei que alguém de mim tivesse pena, †

mas foi em vão, pois a ninguém pude encontrar; *

procurei quem me aliviasse e não achei!

22 Deram-me fel como se fosse um alimento, *

em minha sede ofereceram-me vinagre!

 

– Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. *
Como era no princípio, agora e sempre. Amém.

 

Ant. Deram-me fel como se fosse um alimento,

em minha sede ofereceram-me vinagre.

 

Ant. 3 Procurai o Senhor continuamente,

e o vosso coração reviverá.

 

 

III

30 Pobre de mim, sou infeliz e sofredor! *

Que vosso auxílio me levante, Senhor Deus!

31 Cantando eu louvarei o vosso nome *

e agradecido exultarei de alegria!

32 Isto será mais agradável ao Senhor, *

que o sacrifício de novilhos e de touros.

 

=33 Humildes, vede isto e alegrai-vos: †

o vosso coração reviverá, *

se procurardes o Senhor continuamente!

 

34 Pois nosso Deus atende à prece dos seus pobres, *

e não despreza o clamor de seus cativos.

35 Que céus e terra glorifiquem o Senhor *

com o mar e todo ser que neles vive!

 

=36 Sim, Deus virá e salvará Jerusalém, †

reconstruindo as cidades de Judá, *

onde os pobres morarão, sendo seus donos.

=37 A descendência de seus servos há de herdá-las, †

e os que amam o santo nome do Senhor *

dentro delas fixarão sua morada!

 

– Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. *
Como era no princípio, agora e sempre. Amém.

 

Ant. Procurai o Senhor continuamente,

e o vosso coração reviverá.

 

V. O Senhor há de ensinar-nos seus caminhos.

R. E trilharemos, todos nós, suas veredas.

 

Primeira leitura

Do Primeiro Livro dos Macabeus 9,1-22

 

Morte de Judas Macabeu no combate

1 Quando soube que Nicanor e seu exército haviam sucumbido no combate, Demétrio

enviou de novo Báquides e Alcimo ao território de Judá, coma ala direita do seu exército.

2Empreenderam a marcha pelo caminho de Guilgal, tomaram de assalto Mesalot, no

território de Arbelas, apoderaram-se da cidade e mataram grande número de habitantes. 3No

primeiro mês do ano cento e cinqüenta e dois, acamparam em frente de Jerusalém. 4Mas,

depois, partiram dali e dirigiram-se para a Beréia, com vinte mil homens e dois mil

cavaleiros. 5Judas estava acampado em Elasa, tendo consigo três mil homens escolhidos,

6os quais, ao verem o número considerável de inimigos, ficaram aterrorizados. Muitos

fugiram então do acampamento, e não ficaram mais de oitocentos homens. 7Judas viu que

seu exército debandava, precisamente quando era iminente a batalha, e seu coração abateu-

se, porque não tinha tempo de reagrupá-los. 8Embora deprimido, disse aos que ficaram:

“Avante! Marchemos contra nossos inimigos. Talvez posamos enfrentá-los!” 9Eles, porém,

tentavam dissuadi-lo, dizendo: “Não conseguiremos! Salvemos, agora, nossas vidas.

Voltaremos depois com nossos irmãos, para combatê-los. Agora somos muito poucos”.

10Judas retrucou: “Longe de mim fazer isso, fugir diante do inimigo! Se chegou a nossa

hora, moramos corajosamente por nossos irmãos, e não deixemos que se manche a nossa

glória!” 11O exército inimigo saiu do acampamento e tomou posição diante deles. A

cavalaria estava dividida em dois esquadrões, os atiradores de funda e os flecheiros

marchavam à frente do exército, os mais aguerridos na primeira fila. Báquides estava na ala

direita. 12A falange avançou dos dois lados ao som das trombetas. Os de Judas também

tocaram as trombetas 13e a terra tremeu com o ruído dos exércitos. Travou-se a batalha pela

manhã e durou até a tarde.

 

14 Judas viu que Báquides e o mais forte do seu exército estavam à direita. Então reuniu em

torno de si todos os homens intrépidos, 15abateu com eles a ala direita e perseguiu-os até ao

monte Azoto. 16Mas quando os da ala esquerda perceberam que a ala direita estava sendo

desbaratada, voltaram-se e atiraram-se atrás de Judas e seus companheiros. 17Tornou-se

renhida a luta. De ambos os lados, muitos foram feridos e caíram. 18Judas também

sucumbiu e os demais fugiram. 19Jônatas e Simeão levaram Judas, seu irmão, e enterraram-no no sepulcro de seus pais, em Modin. 20Todo o povo de Israel manifestou grande

desolação, chorou-o e guardou luto durante vários dias, 21 dizendo: “Como sucumbiu o

valente, salvador de Israel!”

22 As restantes façanhas de Judas, seus combates, seus feitos heróicos e atos gloriosos não

se escreveram, por serem numerosos demais.

 

Responsório Cf. 1Mc 4,8b.9a.10a.9

 

R. A fúria do inimigo não temais;

lembrai-vos como outrora vossos pais

foram salvos ao passar o mar Vermelho.

* Clamemos para o céu neste momento,

e de nós terá piedade o nosso Deus.

V. Recordai as maravilhas que ele fez,

o que fez ao Faraó e seu exército. * Clamemos.

 

Segunda leitura

Do Tratado sobre o benefício da morte, de Santo Ambrósio, bispo

(Cap.3,9; 4,15: CSEL 32,710.716-717)

(Séc.IV)

 

Levemos sempre em nós a morte de Cristo

 

Disse o Apóstolo: Para mim o mundo está crucificado, e eu, para o mundo (Gl 6,14). Para

que saibamos, por fim, que nesta vida há morte e boa morte, exorta-nos a que levemos a

morte de Jesus em nosso corpo (cf. 2Cor 4,10).

 

Pois quem tiver em si a morte de Jesus, precisa também ter em seu corpo a vida do Senhor

Jesus. Atue, portanto, a morte em nós, para que também possa agir a vida. Vida excelente

depois da morte, isto é, vida excelente depois da vitória, vida excelente, terminado o

combate. Nela a lei da carne já não luta contra a lei do espírito, não há mais em nós peleja

da morte contra o corpo, mas no corpo, a vitória sobre a morte. E francamente não sei qual

tem maior força, esta morte ou a vida. É claro que atendo à autoridade do Apóstolo que diz:

Portanto a morte age em nós, mas a vida, em vós (2Cor 4,12). A morte de um só a quanta

gente faz crescer a vida! Por isto ensina ser desejável esta morte aos que ainda estão nesta

vida, para que refulja em nossos corpos a morte de Cristo, aquela ditosa pela qual se destrói

o ser exterior, a fim de ser renovado nosso homem interior (cf. 2Cor 2,16) e se desfaça

nossa habitação terrena (cf. 2Cor 5,1), abrindo-se assim para nós a habitação celeste.

 

Imita, portanto, a morte, que se separa da união com esta carne e desata os laços de que fala

o Senhor mediante Isaías: Desata as cadeias iníquas, solta os laços das altercações

violentas, deixa livres os oprimidos, rompe todo limite injusto (Is 58,6).

O Senhor aceitou sujeitar-se à morte para que a culpa desaparecesse. Mas, para não ser de

novo a morte o fim da natureza humana, foi-lhe dada a ressurreição dos mortos, para que

pela morte se apagasse a culpa, pela ressurreição se perpetuasse a natureza.

 

Por isso, a morte é a passagem de tudo. É preciso que passes continuamente; passagem da

corrupção para a incorrupção, da condição mortal à imortalidade, das perturbações para a

tranqüilidade. Por isto não te assuste a palavra morte, mas os benefícios da boa passagem te

alegrem. Pois, que é a morte a não ser a sepultura dos vícios, o despertar das virtudes? Por

isto disse ele: Morra minha alma nas almas dos justos (Nm 23,10), quer dizer, seja

consepultada para depor seus vícios, assumir a graça dos justos, que trazem no corpo e na

alma a morte de Cristo.

 

Responsório 2Tm 2,11-12a; Eclo 1,29

 

R. É fiel esta palavra:

Se com Cristo nós morremos, com Cristo viveremos;

* Se com ele nós sofremos, com ele reinaremos.

V. Espera paciente até o tempo oportuno,

e então a alegria será recompensa. * Se com ele.

 

Oração

 

Ó Deus de poder e misericórdia, que concedeis a vossos filhos e filhas a graça de vos servir

como devem, fazei que coramos livremente ao encontro das vossas promessas. Por nosso

Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Conclusão da Hora

 

V. Bendigamos ao Senhor.

R. Demos graças a Deus.