IV TERÇA-FEIRA

 

V. Vinde, ó Deus em meu auxílio.
 
R. Socorrei-me sem demora.
 Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
 Como era no princípio, agora e sempre. Amém. Aleluia.

 

Esta introdução se omite quando o Invitatório precede imediatamente ao Ofício das Leituras.

 

Hino

 

I. Quando se diz o Ofício das Leituras durante a noite ou de madrugada:

 Despertados no meio da noite,

meditando, em vigília e louvor,

entoemos com todas as forças

nosso canto vibrante ao Senhor,

 

para que celebrando em conjunto

deste Rei glorioso os louvores,

mereçamos viver, com seus santos,

vida plena nos seus esplendores.

 

Esse dom nos conceda a Trindade,

Pai e Filho e Amor, Sumo Bem,

cuja glória ressoa na terra

e no céu pelos séculos. Amém.

 

II. Quando se diz o Ofício das Leituras durante o dia:

 Deus bondoso, inclinai o vosso ouvido,

por piedade, acolhei a nossa prece.

Escutai a oração dos vossos servos,

como Pai que dos seus filhos não se esquece.

 

Para nós volvei, sereno, a vossa face,

pois a vós nos confiamos sem reserva;

conservai as nossas lâmpadas acesas,

afastai do coração todas as trevas.

 

Compassivo, absolvei os nossos crimes,

libertai-nos, e as algemas nos quebrai;

os que jazem abatidos sobre a terra

com a vossa mão direita levantai.

 

Glória a Deus, fonte e raiz de todo ser,

glória a vós, do Pai nascido, Sumo Bem,

sempre unidos pelo Amor do mesmo Espírito,

Deus que reina pelos séculos. Amém.

 

Salmodia

 

Ant. 1 Ó Senhor, chegue até vós o meu clamor,

não me oculteis a vossa face em minha dor!

 

Salmo 101(102)

 

Anseios e preces de um exilado

Bendito seja Deus que nos consola em todas as nossas aflições! (2Cor 1,4).

 

I

2 Ouvi, Senhor, e escutai minha oração, *

e chegue até vós o meu clamor!

3 De mim não oculteis a vossa face *

no dia em que estou angustiado!

– Inclinai o vosso ouvido para mim, *

ao invocar-vos atendei-me sem demora!

 

4 Como fumaça se desfazem os meus dias, *

estão queimando como brasas os meus ossos.

5 Meu coração se tornou seco igual à erva, *

até esqueço de tomar meu alimento.

6 À força de gemer e lamentar, *

tornei-me tão-somente pele e osso.

 

7 Eu pareço um pelicano no deserto, *

sou igual a uma coruja entre ruínas.

 –8 Perdi o sono e passo a noite a suspirar *

como a ave solitária no telhado.

9 Meus inimigos me insultam todo o dia, *

enfurecidos lançam pragas contra mim.

 

10 É cinza em vez de pão minha comida, *

minha bebida eu misturo com as lágrimas.

11 Em vossa indignação, em vossa ira *

me exaltastes, mas depois me rejeitastes;

12 os meus dias como sombras vão passando, *

e aos poucos vou murchando como a erva.

 

– Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. *
Como era no princípio, agora e sempre. Amém.

 

Ant. Ó Senhor, chegue até vós o meu clamor,

não me oculteis a vossa face em minha dor!

 

Ant. 2 Ouvi, Senhor, a oração dos oprimidos!

 

II

13 Mas vós, Senhor, permaneceis eternamente, *

de geração em geração sereis lembrado!

14 Levantai-vos, tende pena de Sião, *

já é tempo de mostrar misericórdia!

15 Pois vossos servos têm amor aos seus escombros *

e sentem compaixão de sua ruína.

 

16 As nações respeitarão o vosso nome, *

e os reis de toda a terra, a vossa glória;

17 quando o Senhor reconstruir Jerusalém*

e aparecer com gloriosa majestade,

18 ele ouvirá a oração dos oprimidos *

e não desprezará a sua prece.

 

19 Para as futuras gerações se escreva isto, *

e um povo novo a ser criado louve a Deus.

20 Ele inclinou-se de seu templo nas alturas, *

e o Senhor olhou a terra do alto céu,

21 para os gemidos dos cativos escutar *

e da morte libertar os condenados.

 

22 Para que cantem o seu nome em Sião *

e louve ao Senhor Jerusalém,

23 quando os povos e as nações se reunirem *

e todos os impérios o servirem.

 

– Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. *
Como era no princípio, agora e sempre. Amém.

 

Ant. Ouvi, Senhor, a oração dos oprimidos!

 

Ant. 3 A terra, no princípio, vós criastes,

e os céus, por vossas mãos, foram criados.

 

III

24 Ele abateu as minhas forças no caminho *

e encurtou a duração da minha vida.

= Agora eu vos suplico, ó meu Deus; †

25 não me leveis já na metade dos meus dias, *

vós, cujos anos são eternos, ó Senhor!

 

26 A terra no princípio vós criastes, *

por vossas mãos também os céus foram criados;

27 eles perecem, vós porém permaneceis; *

como veste os mudais e todos passam;

– ficam velhos todos eles como roupa, *

28 mas vossos anos não têm fim, sois sempre o mesmo!

 

=29 Assim também a geração dos vossos servos †

terá casa e viverá em segurança, *

e ante vós se firmará sua descendência.

 

– Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. *
Como era no princípio, agora e sempre. Amém.

 

Ant. A terra, no princípio, vós criastes,

e os céus, por vossas mãos, foram criados.

 

V. Escuta, ó meu povo, a minha lei.

R. Ouve atento as palavras que eu te digo!

 

Ofício das Leituras

 

Primeira leitura

Do Livro do Profeta Daniel 3,8-12.19-24.91-97

 

A estátua de ouro do rei. Os jovens salvos da fornalha

 

8 Naquele tempo aproximaram-se alguns caldeus, acusando os judeus, 9e disseram ao rei

Nabucodonosor: “Ó rei, que vivas para sempre! 10Tu mesmo, ó rei, decretaste que todo

homem, ao ouvir o som de trombeta, flauta e cítara, de harpa e saltério, de um conjunto

musical de todo o tipo de instrumentos, tem de prostrar-se em adoração à estátua de ouro;

11e que, se alguém não se prostrar em adoração, seja atirado na fornalha de fogo ardente.

12Pois bem, aqueles judeus, que colocaste para administrar a província da Babilônia, Sidrac,

Misac e Abdênago, são homens que não prestam as honras devidas a ti, ó rei, nem prestam

o culto aos teus deuses, nem adoram a estátua de ouro que fizeste erigir”.

 

19A estas palavras, Nabucodonosor encheu-se de cólera contra Sidrac, Misac e Abdênago, a

ponto de se alterar a expressão do rosto; deu ordem para acender a fornalha com sete vezes

mais fogo que de costume; 20e encarregou os soldados mais fortes do exército para

amarrarem Sidrac, Misac e Abdênago e os lançarem na fornalha de fogo ardente.

21Amarrados, os homens foram imediatamente lançados na fornalha ardente, juntamente

com suas roupas, calças, capas e calçados; 22ora, as ordens do rei eram urgentes, e como a

fornalha ficou excessivamente aquecida, as chamas devoraram os homens que tinham

atirado ao fogo Sidrac, Misac e Abdênago, 23enquanto que estes três, amarados, caíram no

meio do forno cheio de fogo.

 

24 Andavam de cá para lá no meio das chamas, entoando hinos a Deus e bendizendo ao

Senhor.

 

91 Então, o rei Nabucodonosor, tomado de pasmo, levantou-se apressadamente, e perguntou

a seus ministros: “Porventura, não lançamos três homens bem amarados no meio do

fogo?” Responderam ao rei: “É verdade, ó rei”. 92Dise este: “Mas eu estou vendo quatro

homens andando livremente no meio do fogo, sem sofrerem nenhum mal, e o aspecto do

quarto homem é semelhante ao de um filho de Deus.” 93Nabucodonosor, então, acercou-se

da boca da fornalha de fogo ardente e disse: “Sidrac, Misac e Abdênago, servos do Deus

altíssimo, vinde para fora”. Logo saíram Sidrac, Misac e Abdênago do meio do fogo.

94Reunidos os sátrapas, governantes, juízes e poderosos do reino ficaram contemplando

aqueles homens em cujos corpos nenhum poder teve o fogo. O cabelo da cabeça não se lhes

tinha queimado, suas roupas não sofreram alterações, nem o cheiro de queimado passou por

eles. 95Exclamou Nabucodonosor: “Bendito seja o Deus de Sidrac, Misac e Abdênago, que

enviou seu anjo e libertou seus servos, que puseram nele sua confiança e transgrediram o

decreto do rei, preferindo entregar suas vidas a servir e adorar qualquer outro Deus que não

fosse o seu Deus. 96Está, portanto, decretado por mim que todo aquele que, pertencendo a

qualquer povo, tribo ou língua, disser uma blasfêmia contra o Deus de Sidrac, Misac e

Abdênago, seja cortado em pedaços e sua casa feita estrumeira, porque não há outro deus

que tenha esse poder de salvação”.97O rei então aumentou as honrarias de Sidrac, Misac e

Abdênago na província da Babilônia.

 

 Responsório Dn 3,49.50b.95

 

R. O anjo do Senhor desceu para a fornalha

juntamente com Azarias e com seus companheiros

e afastava o fogo deles.

* E o fogo, nem de leve, os tocou nem molestou.

V. Bendito seja o Deus deles que seu anjo enviou

e libertou seus servidores, que nele confiaram.

* E o fogo.

 

Segunda leitura

Da Homilia de um Autor do século segundo

 

(Cap.8,1-9,11: Funk 1,153-157)

 

A penitência de um coração sincero

 

Enquanto estamos aqui na terra, façamos penitência. Com efeito, somos argila na mão do

artífice. Se o oleiro, tendo feito um vaso, e, em suas mãos, este se entorta ou quebra, de

novo torna a fazê-lo. Se, porém,se decidiu a pô-lo no forno, nada mais há que fazer. Assim

também nós, enquanto estamos no mundo e temos tempo, façamos, de coração, penitência

pelos pecados cometidos, para sermos salvos pelo Senhor.

 

Porque depois de sairmos do mundo já não mais poderemos reconhecer os nossos pecados

nem fazer penitência. Por este motivo, irmãos, se fizermos a vontade do Pai, mantivermos

casto nosso corpo e guardarmos os preceitos do Senhor, alcançaremos a vida eterna. O

Senhor disse no evangelho: Se não fordes fiéis no pouco, quem vos confiará o muito? Pois

eu vos digo: quem é fiel no pouco também será fiel no muito (cf. Lc 16,10-11). Quis dizer:

Guardai casto o corpo e imaculado o caráter, para que sejamos dignos de receber a vida.

 

E ninguém venha dizer que a carne não será julgada nem ressurgirá. Confessai: em que

fostes salvos, em que recobrastes a vista, se não foi vivendo ainda nesta carne? Convém-

nos, portanto, proteger a carne como templo de Deus. Tal qual fostes chamados no corpo,

assim no corpo ireis. Cristo Senhor, que nos salvou, era antes só espírito e fez-se carne e

assim nos chamou. Do mesmo modo também nós receberemos a recompensa neste corpo.

Amemo-nos, pois, uns aos outros, para entrarmos todos no reino de Deus. Enquanto temos

tempo de ser curados, entreguemo-nos a Deus médico, dando-lhe a paga. Que paga? A

penitência brotada de um coração sincero. Com efeito, ele prevê todas as coisas e conhece o

que se passa em nosso íntimo. Louvemo-lo, pois, não só de boca, mas de coração, para que

nos receba como filhos. De fato o Senhor disse: Meus irmãos são aqueles que fazem a

vontade de meu Pai (cf. Lc 8,21s).

 

Responsório Ez 18,31a.32; 2Pd 3,9b

 

R. Lançai para bem longe toda a vossa iniqüidade!

Criai em vós um novo espírito e um novo coração!

* Eu não tenho prazer na morte de ninguém;

convertei-vos e vivei!

V. Com paciência o Senhor age conosco,

pois não deseja que alguém venha a perder-se,

mas quer que todos se convertam e retornem.

* Eu não tenho.

 

Oração

 

Deus de poder e misericórdia, afastai de nós todo obstáculo para que, inteiramente

disponíveis, nos dediquemos ao vosso serviço. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho,

na unidade do Espírito Santo.

 

Conclusão da Hora

 

V. Bendigamos ao Senhor.

R. Demos graças a Deus.