Ofício das Leituras

Quarta-feira da 33 ª Semana do Tempo Comum

 invitatório
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V. Vinde, ó Deus em meu auxílio.
 
R. Socorrei-me sem demora.
 Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
 Como era no princípio, agora e sempre. Amém. Aleluia.
Esta introdução se omite quando o Invitatório precede imediatamente ao Ofício das Leituras.

 

Hino

I. Quando se diz o Ofício das Leituras durante a noite ou de madrugada:

 Um Deus em três pessoas,

o mundo governais:

dos homens que criastes

as faltas perdoais.

 

Ouvi, pois, nosso canto

e o pranto que vertemos:

de coração sem mancha,

melhor vos contemplemos.

 

Por vosso amor tenhamos

a alma iluminada,

e alegres aguardemos,

Senhor, vossa chegada.

 

Rompendo agora a noite,

do sono despertados,

com os bens da pátria eterna

sejamos cumulados!

 

A glória seja ao Pai,

ao Filho seu também;

ao Espírito igualmente,

agora e sempre. Amém.

 

II. Quando se diz o Ofício das Leituras durante o dia:

 Autor da glória eterna,

que ao povo santo dais

a graça septiforme

do Espírito, escutai:

 

Tirai ao corpo e à mente

do mal as opressões;

cortai os maus instintos,

curai os corações.

 

Tornai as mentes calmas,

as obras completai,

ouvi do orante as preces,

a vida eterna dai.

 

Do tempo, em sete dias,

o curso conduzis.

No dia oitavo e último

vireis como juiz.

 

E nele, ó Redentor,

da ira nos poupai,

tirai-nos da esquerda,

à destra nos guardai.

 

Ouvi a prece humilde

do povo reverente,

e a vós daremos glória,

Deus Trino, eternamente.

 

Salmodia

 

Ant. 1 Quem se tornar pequenino como uma criança,

há de ser o maior no Reino dos céus.

 

Salmo 130(131)

 

Confiança filial e repouso em Deus

Aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração (Mt 11,29).

 

1 Senhor, meu coração não é orgulhoso, *

nem se eleva arrogante o meu olhar;

– não ando à procura de grandezas, *

nem tenho pretensões ambiciosas!

 

2 Fiz calar e sossegar a minha alma; *

ela está em grande paz dentro de mim,

– como a criança bem tranqüila, amamentada *

no regaço acolhedor de sua mãe.

 

3 Confia no Senhor, ó Israel, *

desde agora e por toda a eternidade!

 

– Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. *

Como era no princípio, agora e sempre. Amém.

 

Ant. Quem se tornar pequenino como uma criança,

há de ser o maior no Reino dos céus.

 

Ant. 2 Na simplicidade do meu coração,

alegre, vos dei tudo aquilo que tenho.

 

Salmo 131(132)

 

As promessas do Senhor à casa de Davi

O Senhor Deus lhe dará o trono de Davi seu Pai (Lc 1,32).

 

I

1 Recordai-vos, ó Senhor, do rei Davi *

e de quanto vos foi ele dedicado;

2 do juramento que ao Senhor havia feito *

e de seu voto ao Poderoso de Jacó:

 

3 “Não entrarei na minha tenda, minha casa, *

nem subirei à minha cama em que repouso,

4 não deixarei adormecerem os meus olhos, *

nem cochilarem em descanso minhas pálpebras,

5 até que eu ache um lugar para o Senhor, *

uma casa para o Forte de Jacó!”

 

6 Nós soubemos que a arca estava em Éfrata *

e nos campos de Iaar a encontramos:

7 Entremos no lugar em que ele habita, *

ante o escabelo de seus pés o adoremos!

 

8 Subi, Senhor, para o lugar de vosso pouso, *

subi vós, com vossa arca poderosa!

9 Que se vistam de alegria os vossos santos, *

e os vossos sacerdotes, de justiça!

10 Por causa de Davi, o vosso servo, *

não afasteis do vosso Ungido a vossa face!

 

– Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. *

Como era no princípio, agora e sempre. Amém.

 

Ant. Na simplicidade do meu coração,

alegre, vos dei tudo aquilo que tenho.

 

Ant. 3 O Senhor fez a Davi um juramento,

e seu reino permanece para sempre.

 

II

11 O Senhor fez a Davi um juramento, *

uma promessa que jamais renegará:

– “Um herdeiro que é fruto do teu ventre *

colocarei sobre o trono em teu lugar!

 

12 Se teus filhos conservarem minha Aliança *

e os preceitos que lhes dei a conhecer,

– os filhos deles igualmente hão de sentar-se *

eternamente sobre o trono que te dei!”

 

13 Pois o Senhor quis para si Jerusalém*

e a desejou para que fosse sua morada:

14 “Eis o lugar do meu repouso para sempre, *

eu fico aqui: este é o lugar que preferi!”

 

15 “Abençoarei suas colheitas largamente, *

e os seus pobres com o pão saciarei!

16 Vestirei de salvação seus sacerdotes, *

e de alegria exultarão os seus fiéis!”

 

17 “De Davi farei brotar um forte Herdeiro, *

acenderei ao meu Ungido uma lâmpada.

18 Cobrirei de confusão seus inimigos, *

mas sobre ele brilhará minha coroa!”

 

– Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. *

Como era no princípio, agora e sempre. Amém.

 

Ant. O Senhor fez a Davi um juramento,

e seu reino permanece para sempre.

 

V. Vinde ver, contemplai os prodígios de Deus,

R. E a obra estupenda que fez no universo.

 

Primeira leitura

Do Livro do Profeta Zacarias 14,1-21

 

Tribulação e glória de Jerusalém nos últimos tempos

Assim fala o Senhor: 1“Eis que o dia do Senhor está chegando, teus despojos serão

divididos em teu próprio recinto; 2reunirei todas as nações para o combate em Jerusalém, e

então a cidade será tomada, as casas serão destruídas e as mulheres, violadas: metade da

cidade irá para o cativeiro, mas o resto do povo não será expulso dela. 3Então sairá o

Senhor a combater contra aquelas nações, como já combateu no tempo da guerra. 4Seus pés

se firmarão, naquele dia, sobre o Monte das Oliveiras, situado ao nascente de Jerusalém; o

Monte das Oliveiras será rachado ao meio, em duas partes, ao nascente e ao poente,

formando enormes escarpas; metade do monte se afastará para o Norte e metade, para o

Sul. 5Fugireis para os vales entre os montes, porque esse vale se estende até Iasol; fugireis,

como fugistes do terremoto, no reinado de Ozias, rei de Judá; virá o Senhor, meu Deus, e

todos os santos com ele.

 

6 Acontecerá, naquele dia, que não haverá luz,mas sim frio e gelo; 7será um só dia

contínuo, só conhecido do Senhor, sem divisão de dia e noite; ao cair da tarde, haverá luz.

8Acontecerá, naquele dia, que brotarão de Jerusalém águas vivas, metade delas para o mar

oriental e metade para o mar ocidental: correrão no verão e no inverno. 9O Senhor reinará

sobre a terra inteira: naquele dia, haverá um só Senhor, o seu nome será único. 10Todo o

país voltará à faixa do deserto, desde Gaba até Remon, ao sul de Jerusalém, que será

exaltada e repovoada em seu território, desde a Porta de Benjamin até ao lugar da Porta

Velha, até à Porta dos Ângulos; e desde a Tore de Hananeel até aos Lagares do Rei. 11Ali

habitarão, e não haverá mais nenhuma contrariedade, mas Jerusalém será habitada em

condições de segurança.

 

12 O Senhor fará cair sobre todos os povos, que atacaram Jerusalém, um flagelo, a saber,

cada um terá seu corpo apodrecido, ainda em vida; apodrecidos os olhos dentro das órbitas;

apodrecida a língua na boca. 13Naquele dia, o Senhor fará surgir uma grande confusão entre

eles, que se agredirão e se ferirão uns aos outros. 14Mas o próprio Judá lutará em Jerusalém;

as riquezas de todas as nações vizinhas lhes serão arrebatadas, ouro, prata e roupas em

quantidade. 15Flagelo semelhante àquele sofrerão os cavalos, mulas, camelos, asnos e

animais de carga que se encontrarem nos acampamentos.

 

16 Os sobreviventes de todas as nações que atacaram Jerusalém virão a ela, todos os anos,

para adorar o Rei, Senhor dos exércitos, e celebrar a festa dos Tabernáculos. 17Se alguma

dessas nações da terra não for a Jerusalém para adorar o Rei, Senhor dos exércitos, não

mais cairá sobre ela a chuva. 18Mas, se o povo do Egito não se mexer para ir até lá, cairá

sobre ele um outro flagelo, que o Senhor se reserva lançar sobre os povos, que se recusam a

celebrar a festa dos Tabernáculos. 19Tal será o castigo do Egito e o castigo de todos os

povos que não forem celebrar a solenidade dos Tabernáculos. 20Naquele dia, colocarão nas

campainhas dos cavalos: ‘Reservado para o Senhor’; e as bacias, na casa do Senhor, ficarão

repletas, como taças diante do altar. 21Todo recipiente, em Jerusalém e em Judá, será

reservado ao serviço do Senhor dos exércitos”.

 

 Responsório Zc 14,8a; 13,1; Jo 19,34

 

R. Naquele dia há de jorrar uma fonte de água viva

para a casa de Davi e os habitantes de Sião

* Para lavar o pecador.

V. Um soldado abriu o lado de Jesus com uma lança

e logo saiu sangue e água juntamente. * Para lavar.

 

Segunda leitura

Das Conferências de Santo Tomás de Aquino, presbítero

(Col. super Credo in Deum: Opuscula theologica 2,

Taurini1954, pp.216-217)

 

(Séc.XIII)

 

Serei saciado quando aparecer a vossa glória

Com muita propriedade se põe a consumação de todos os nossos desejos, a vida eterna, no

final do Símbolo dado aos fiéis, dizendo: “Na vida eterna. Amém”.

 

Em primeiro lugar, a vida eterna une-nos a Deus. Pois Deus mesmo é o prêmio e a

consumação de nossos esforços todos: Eu sou teu protetor e tua imensa recompensa (Gn

15,1). Esta união consiste na visão perfeita: Vemos agora como por espelho, em enigma;

depois, face a face (1Cor 13,12).

 

Comporta ainda o máximo louvor, segundo o Profeta: Gozo e alegria nela haverá, ação de

graças e voz de louvor (Is 51,3).

 

E também a perfeita satisfação do desejo, porque lá cada bem-aventurado terá muito além

do desejado e esperado. A razão está em que, nesta vida, ninguém pode contentar

perfeitamente seu desejo, e criatura alguma sacia o anseio do homem; só Deus o sacia e o

excede infinitamente. Por isto, o ser humano não descansa senão em Deus. Santo Agostinho

disse: “Tu, Senhor, nos fizeste para ti e inquieto está nosso coração enquanto não repousa

em ti”.

 

Já que, na pátria, os santos possuirão a Deus perfeitamente, é evidente que seu desejo será

saciado e ainda a glória o excederá. Assim diz o Senhor: Entra no gozo de teu Senhor (Mt

25,21). Agostinho diz por sua vez: “O gozo inteiro não entrará nos que se alegram, mas os

que se alegram entrarão inteiros nesse gozo. Sereis saciados quando aparecer tua glória”; e

outra vez: “Quem cumula de bens teu desejo”.

 

Quanto há de delicioso, tudo ali está com superabundância. Se procuramos delícias, lá

haverá o máximo e perfeitíssimo prazer, porque brotando do sumo bem, de Deus: Delícias

a tua destra para sempre (Sl 15,11).

 

Consiste ainda na suave companhia de todos os santos; sociedade agradável a mais não

poder, porque cada um terá, em companhia de todos os bem-aventurados, todos os bens.

Um amará o outro como a si mesmo, então se alegrará com o bem do outro como se fosse

próprio. O que terá por resultado que crescerá a alegria e o gáudio de um, na medida do

gáudio de todos.

 

Responsório Sl 16(17),15; 1Cor 13,12b

 

R. Eu verei, justificado, a vossa face

* E ao despertar me saciará vossa presença.

V. Agora, eu conheço de modo imperfeito,

mas lá conhecerei como também sou conhecido.

* E ao despertar.

 

Oração

 

Senhor nosso Deus, fazei que a nossa alegria consista em vos servir de todo o coração, pois

só teremos felicidade completa, servindo a vós, criador de todas as coisas. Por nosso

Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. 

 

Conclusão da Hora

V. Bendigamos ao Senhor.

R. Demos graças a Deus.