Terça-feira da 7ª semana do Tempo Comum

 

Invitatório

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Ofício das Leituras

 

 

III TERÇA

 

V. Vinde, ó Deus em meu auxílio.
 
R. Socorrei-me sem demora.
 Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
 Como era no princípio, agora e sempre. Amém. Aleluia.

Esta introdução se omite quando o Invitatório precede imediatamente ao  Ofício das Leituras.

 

Hino

 

I. Quando  se diz o Ofício das Leituras durante a noite ou de madrugada:

 

Da luz do Pai nascido,

vós mesmo luz e aurora,

ouvi os que suplicam,

cantando noite afora.

 

Varrei as nossas trevas

e as hostes do inimigo:

o sono, em seus assaltos,

não ache em nós abrigo.

 

Ó Cristo, perdoai-nos,

pois Deus vos proclamamos.

Propício seja o canto

que agora iniciamos.

 

A glória seja ao Pai,

ao Filho seu também,

ao Espírito igualmente,

agora e sempre. Amém.

 

II. Quando se diz o Ofício das Leituras durante o dia:

 

Ó Trindade Sacrossanta,

ordenais o que fizestes.

Ao trabalho dais o dia,

ao descanso a noite destes.

 

De manhã, à tarde e à noite,

vossa glória celebramos.

Nesta glória conservai-nos

todo o tempo que vivamos.

 

Ante vós ajoelhamos

em humilde adoração.

 Reuni as nossas preces

à celeste louvação.

 

Escutai-nos, Pai piedoso,

e vós, Filho de Deus Pai,

com o Espírito Paráclito,

pelos séculos reinais.

 

Salmodia

 

Ant. 1 Eis que Deus se põe de pé,

e os inimigos se dispersam!

 

Salmo 67(68)

 

Entrada triunfal do Senhor

Tendo subido às alturas, ele capturou prisioneiros e distribuiu dons aos homens (Ef

4,8).

 

I

2 Eis que Deus se põe de pé, e os inimigos se dispersam!*

Fogem longe de sua face os que odeiam o Senhor!

=3 Como a fumaça se dissipa, assim também os dissipais, †

como a cera se derrete, ao contato com o fogo, *

assim pereçam os iníquos ante a face do Senhor!

 

4 Mas os justos se alegram na presença do Senhor *

rejubilam satisfeitos e exultam de alegria!

=5 Cantai a Deus, a Deus louvai, cantai um salmo a seu nome! †

Abri caminho para Aquele que avança no deserto; *

o seu nome é Senhor: exultai diante dele!

 

6 Dos órfãos ele é pai, e das viúvas protetor; *

é assim o nosso Deus em sua santa habitação.

=7 É o Senhor quem dá abrigo, dá um lar aos deserdados, †

quem liberta os prisioneiros e os sacia com fartura, *

mas abandona os rebeldes num deserto sempre estéril!

 

8 Quando saístes com o povo, caminhando à sua frente *

e atravessando o deserto, a terra toda estremeceu;

9 orvalhou o próprio céu ante a face do Senhor, *

e o Sinai também tremeu perante o Deus de Israel.

 

10 Derramastes lá do alto uma chuva generosa, *

e vossa terra, vossa herança, já cansada, renovastes;

11 e ali vosso rebanho encontrou sua morada; *

com carinho preparastes essa terra para o pobre.

 

– Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. *
Como era no princípio, agora e sempre. Amém.

 

Ant. Eis que Deus se põe de pé,

e os inimigos se dispersam!

 

Ant. 2 Nosso Deus é um Deus que salva,

só o Senhor livra da morte.

 

II

 –12 O Senhor anunciou a boa-nova a seus eleitos, *

e uma grande multidão de nossas jovens a proclama:

13 “Muitos reis e seus exércitos fogem um após o outro, *

e a mais bela das mulheres distribui os seus despojos.

 

=14 Enquanto descansais entre a cerca dos apriscos, †

as asas de uma pomba como prata resplandecem, *

e suas penas têm o brilho de um ouro esverdeado.

15 O Senhor onipotente dispersou os poderosos, *

dissipou-os como a neve que se espalha no Salmon!”

 

16 Montanhas de Basã tão escarpadas e altaneiras *

ó montes elevados desta serra de Basã,

=17 por que tendes tanta inveja, ó montanhas sobranceiras,†

deste Monte que o Senhor escolheu para morar? *

Sim, é nele que o Senhor habitará eternamente!

 

18 Os carros do Senhor contam milhares de milhares; *

do Sinai veio o Senhor, para morar no santuário.

=19 Vós subistes para o alto e levastes os cativos, †

os homens prisioneiros recebestes de presente, *

até mesmo os que não querem vão morar em vossa casa.

 

20 Bendito seja Deus, bendito seja cada dia, *

o Deus da nossa salvação, que carrega os nossos fardos!

21 Nosso Deus é um Deus que salva, é um Deus libertador;*

o Senhor, só o Senhor, nos poderá livrar da morte!

22 Ele esmaga a cabeça dos que são seus inimigos, *

e os crânios contumazes dos que vivem no pecado.

 

23 Diz o Senhor: “Eu vou trazê-los prisioneiros de Basã, *

até do fundo dos abismos vou trazê-los prisioneiros!

24 No sangue do inimigo o teu pé vai mergulhar, *

e a língua de teus cães terá também a sua parte”.

 

– Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. *
Como era no princípio, agora e sempre. Amém.

 

Ant. Nosso Deus é um Deus que salva,

só o Senhor livra da morte.

 

Ant. 3 Reinos da terra, celebrai

o nosso Deus, cantai-lhe salmos!

 

III

 –25 Contemplamos, ó Senhor, vosso cortejo que desfila, *

é a entrada do meu Deus, do meu Rei, no santuário;

 –26 os cantores vão à frente, vão atrás os tocadores, *

e no meio vão as jovens a tocar seus tamborins.

 

27 “Bendizei o nosso Deus, em festivas assembléias! *

Bendizei nosso Senhor, descendentes de Israel!”

=28 Eis o jovem Benjamim que vai à frente deles todos; †

eis os chefes de Judá com as suas comitivas, *

os principais de Zabulon e os principais de Neftali. 

 

29 Suscitai, ó Senhor Deus, suscitai vosso poder, *

confirmai este poder que por nós manifestastes,

 –30 a partir de vosso templo, que está em Jerusalém, *

para vós venham os reis e vos ofertem seus presentes!

 

=31 Ameaçai, ó nosso Deus, a fera brava dos caniços, †

a manada de novilhos e os touros das nações! *

Que vos rendam homenagem e vos tragam ouro e prata!

= Dispersai todos os povos que na guerra se comprazem!†

32 Venham príncipes do Egito, venham dele os poderosos,*

e levante a Etiópia suas mãos para o Senhor!

 

=33 Reinos da terra, celebrai o nosso Deus, cantai-lhe salmos! †

 34 Ele viaja no seu carro sobre os céus dos céus eternos. *

Eis que eleva e faz ouvir a sua voz, voz poderosa.

 

35 Dai glória a Deus e exaltai o seu poder por sobre as nuvens. *

Sobre Israel, eis sua glória e sua grande majestade!

36 Em seu templo ele é admirável e a seu povo dá poder. *

Bendito seja o Senhor Deus, agora e sempre. Amém, amém!

 

– Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. *
Como era no princípio, agora e sempre. Amém.

 

Ant. Reinos da terra, celebrai

o nosso Deus, cantai-lhe salmos!

 

V. Quero ouvir o que o Senhor irá falar.

R. É a paz que ele vai anunciar.

 

Primeira leitura

Do Livro do Eclesiastes 3,1-22

 

Diversidade do tempo

1Tudo tem seu tempo.

Há um momento oportuno

para tudo que acontece debaixo do céu.

2Tempo de nascer e tempo de morrer;

Tempo de plantar e tempo de colher a planta.

3Tempo de matar e tempo de salvar;

tempo de destruir e tempo de construir.

4Tempo de chorar e tempo de rir;

tempo de lamentar e tempo de dançar.

5Tempo de atirar pedras e tempo de as amontoar;

tempo de abraçar e tempo de se separar.

6Tempo de buscar e tempo de perder;

Tempo de guardar e tempo de esbanjar.

7Tempo de rasgar e tempo de costurar;

tempo de calar e tempo de falar.

8Tempo de amar e tempo de odiar;

tempo de guerra e tempo de paz.

9Que proveito tira o trabalhador de seu esforço?

10Observei a tarefa que Deus impôs aos homens, para que nela se ocupassem. 11As

coisas que ele fez são todas boas no tempo oportuno. Além disso, ele dispôs que fossem

permanentes; no entanto o homem jamais chega a conhecer o princípio e o fim da ação

que Deus realiza. 12E compreendi que nada de melhor há para o homem a não ser

alegrar-se e fazer o bem durante a sua vida. 13E que o homem coma e beba, desfrutando

do produto de todo o seu trabalho, isso é dom de Deus. 14Compreendi que tudo o que

Deus faz é para sempre. A isso nada se pode acrescentar, e disso nada se pode tirar.

Deus assim faz para que o temam. 15O que existe, já havia existido; o que existirá, já

existe, pois Deus renova o que passou.

 

16Observo outra coisa debaixo do sol: no lugar do direito encontra-se o delito, no lugar

da justiça encontra-se a iniqüidade; 17e penso: ao justo e ao ímpio Deus julgará, porque

aqui há um tempo para todo o propósito e um lugar para cada ação.

 

18Quanto aos homens penso assim: Deus os põe à prova para mostrar-lhes que são como

animais. 19Pois a sorte do homem e a dos animais é idêntica: como morre um, assim

morre o outro, e ambos têm o mesmo sopro de vida; o homem não leva vantagem sobre

os animais, porque tudo é vaidade. 20Tudo caminha para um mesmo lugar:

tudo vem do pó e tudo volta ao pó.

 

21Quem sabe se o alento do homem sobe para o alto e se o alento do animal desce para

baixo, para a terra? 22Observo que nada de melhor há para o homem do que alegrar-se

com suas obras: essa é a sua porção. Pois quem o fará voltar para saber o que vai

acontecer depois dele?

 

Responsório 1Cor 7,29b.31; Ecl 3,1

 

R. Meus irmãos, o tempo é breve.

Os que se alegram sejam, pois,

como se não se alegrassem;

os que usam deste mundo, como se dele não usassem.

* Porque passa a aparência perecível deste mundo.

V. Para tudo há um tempo, e cada coisa sob o céu

tem a sua duração. * Porque passa.

 

Segunda leitura

Das Homilias sobre o Eclesiastes, de São Gregório de Nissa, bispo

 

(Hom. 6:PG 44,702-703)                     (Séc.IV)

 

Há um tempo de dar à luz e um tempo de morrer

Há um tempo de dar à luz e um tempo de morrer. Muito bem expressa no princípio de

suas palavras a necessária ligação ao unir a morte ao nascimento. Pois obrigatoriamente

a morte segue o parto e toda geração vai dar na dissolução.

 

Há um tempo de dar à luz e um tempo de morrer. Oxalá que a mim também suceda

nascer em tempo desejado e morrer também em tempo oportuno. Ninguém irá pensar

que o Eclesiastes se refere ao nascimento involuntário e à morte natural, como se nisso

houvesse uma reta ação virtuosa. Não é pela vontade da mulher que existe o parto, nem

a morte depende do livre-arbítrio dos que morrem. Nunca se definirá como virtude ou

vício aquilo que não está em nosso poder. É preciso, portanto, compreender o parto num

tempo querido e a morte num tempo oportuno.

Quanto a mim, parece-me que um parto é perfeito e não abortivo quando, no dizer de

Isaías, alguém concebe pelo temor de Deus e pela alma em dores de parto gera sua

salvação. Pois somos, de certo modo, pais de nós mesmos, nos concebemos e nos

damos à luz a nós mesmos.

 

Assim nos acontece, porque acolhemos Deus em nós, feitos filhos de Deus, filhos da

virtude, filhos do Altíssimo. Mas também nos damos à luz como abortivos e nos

tornamos imperfeitos e imaturos, quando não se formou em nós, segundo diz o

Apóstolo, a forma de Cristo. É preciso ser íntegro e perfeito o homem de Deus.

 

Se, pois, está claro como se nasce em tempo, também é claro para todos de que maneira

se morre em tempo; para São Paulo, todo tempo era oportuno para uma boa morte. Em

seus escritos declara, quase como um protesto: Moro todos os dias para vossa

glorificação, e ainda: Por ti somos entregues à morte cotidianamente. E nós também

tivemos uma sentença de morte dentro de nós mesmos.

 

Não é difícil entender de que maneira Paulo morre diariamente, ele que nunca vive para

o pecado, que sempre faz morrer seus membros carnais e traz em si a morte do corpo de

Cristo, que sempre está crucificado com Cristo e nunca vive para si mas em si tem o

Cristo vivo. Esta é, parece-me, a morte oportuna, aquela que obtém a verdadeira vida.

 

Foi dito: Eu dou a morte e faço viver, para que não haja dúvida que é um verdadeiro

dom de Deus o morrer para o pecado e o ser vivificado pelo Espírito. Pelo fato mesmo

de dar a morte, a palavra divina promete vivificar.

 

Responsório Dt 32,39b; Ap 1,18c

 

R. Sou eu que tiro a vida, sou eu quem faz viver;

eu firo e eu mesmo curo;

* E ninguém pode escapar de minha mão, diz o Senhor.

V. Tenho as chaves dos abismos e a vitória sobre a morte.

* E ninguém.

 

Oração

 

Concedei, ó Deus todo-poderoso, que, procurando conhecer sempre o que é reto,

realizemos vossa vontade em nossas palavras e ações. Por nosso Senhor Jesus Cristo,

vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

Conclusão da Hora

 

V. Bendigamos ao Senhor.

R. Graças a Deus.