SANTO IRINEU, BISPO E MÁRTIR

 

Memória

 

Nasceu por volta do ano 130 e foi educado em Esmirna. Foi discípulo de São Policarpo, bispo desta

cidade. No ano de 177, era presbítero em Lião (França) e, pouco tempo depois, foi nomeado bispo da

mesma cidade. Escreveu diversas obras para defender a fé católica contra os erros dos gnósticos. Segundo

a tradição, recebeu a coroa do martírio cerca do ano 200.

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Ofício das Leituras

V. Vinde, ó Deus, em meu auxílio.
R. Socorrei-me sem demora.
Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
Como era no princípio, agora e sempre. Amém. Aleluia.
Esta introdução se omite quando o Invitatório precede imediatamente ao Ofício das Leituras.

Hino

Santo mártir, sê propício

no teu dia de esplendor,

em que cinges a coroa,

o troféu de vencedor.

 

Este dia sobre as trevas

deste mundo te elevou,

e, juiz e algoz vencendo,

todo a Cristo te entregou.

 

Entre os anjos ora brilhas,

testemunha inquebrantável,

com as vestes que lavaste

no teu sangue venerável.

 

Junto a Cristo, sê agora

poderoso intercessor;

ouça ele as nossas preces

e perdoe ao pecador.

 

Desce a nós por um momento,

de Jesus traze o perdão,

e os que gemem sob o fardo

grande alívio sentirão.

 

A Deus Pai, ao Filho Único

e ao Espírito, a vitória.

Deus te orna com coroa

na mansão da sua glória.

Salmodia

Ant. 1 Vós sereis odiados por meu nome;

quem for fiel até o fim há de ser salvo.

Salmo 2

1 Por que os povos agitados se revoltam? *
por que tramam as nações projetos vãos?
=2 Por que os reis de toda a terra se reúnem, †
e conspiram os governos todos juntos *
contra o Deus onipotente e o seu Ungido?

3 “Vamos quebrar suas correntes”, dizem eles, *
“e lançar longe de nós o seu domínio!”
4 Ri-se deles o que mora lá nos céus; *
zomba deles o Senhor onipotente.
5 Ele, então, em sua ira os ameaça, *
e em seu furor os faz tremer, quando lhes diz:

6 “Fui eu mesmo que escolhi este meu Rei, *
e em Sião, meu monte santo, o consagrei!”
=7 O decreto do Senhor promulgarei, †
foi assim que me falou o Senhor Deus: *
“Tu és meu Filho, e eu hoje te gerei!

=8 Podes pedir-me, e em resposta eu te darei †
por tua herança os povos todos e as nações, *
e há de ser a terra inteira o teu domínio.
9 Com cetro férreo haverás de dominá-los, *
e quebrá-los como um vaso de argila!”

10 E agora, poderosos, entendei; *
soberanos, aprendei esta lição:
11 Com temor servi a Deus, rendei-lhe glória *
e prestai-lhe homenagem com respeito!

12 Se o irritais, perecereis pelo caminho, *
pois depressa se acende a sua ira!
– Felizes hão de ser todos aqueles *
que põem sua esperança no Senhor!

– Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. *
Como era no princípio, agora e sempre. Amém.

Ant.
Vós sereis odiados por meu nome;
quem for fiel até o fim há de ser salvo.

Ant. 2 Os sofrimentos desta vida aqui na terra

não se comparam com a glória que teremos.

 

Salmo 10(11)
 
   =1 No Senhor encontro abrigo; †
 como, então, podeis dizer-me: *
 'Voa aos montes, passarinho!
 
 –2 Eis os ímpios de arcos tensos, *
 pondo as flechas sobre as cordas,
 – e alvejando em meio à noite *
 os de reto coração!
 
 =3 Quando os próprios fundamentos †
 do universo se abalaram, *
 o que pode ainda o justo?'
 
 –4 Deus está no templo santo, *
 e no céu tem o seu trono;
 – volta os olhos para o mundo, *
 seu olhar penetra os homens.
 
 –5 Examina o justo e o ímpio, *
 e detesta o que ama o mal.
 =6 Sobre os maus fará chover †
 fogo, enxofre e vento ardente, *
 como parte de seu cálice.
 
 –7 Porque justo é nosso Deus, *
 o Senhor ama a justiça.
 – Quem tem reto coração *
 há de ver a sua face.

 

 – Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. *
Como era no princípio, agora e sempre. Amém.

 

Ant. Os sofrimentos desta vida aqui na terra

não se comparam com a glória que teremos.


Ant. 3 Deus provou os seus eleitos como o ouro no crisol,

e aceitou seu sacrifício.

 

Salmo 16(17)

1 Ó Senhor, ouvi a minha justa causa, *
escutai-me e atendei o meu clamor!
– Inclinai o vosso ouvido à minha prece, *
pois não existe falsidade nos meus lábios!
2 De vossa face é que me venha o julgamento, *
pois vossos olhos sabem ver o que é justo.

=3 Provai meu coração durante a noite, †
visitai-o, examinai-o pelo fogo, *
mas em mim não achareis iniqüidade.
4 Não cometi nenhum pecado por palavras, *
como é costume acontecer em meio aos homens.

– Seguindo as palavras que dissestes,*
andei sempre nos caminhos da Aliança.
5 Os meus passos eu firmei na vossa estrada, *
e por isso os meus pés não vacilaram.

6 Eu vos chamo, ó meu Deus, porque me ouvis, *
inclinai o vosso ouvido e escutai-me!
=7 Mostrai-me vosso amor maravilhoso, †
vós que salvais e libertais do inimigo *
quem procura a proteção junto de vós.

8 Protegei-me qual dos olhos a pupila *
e guardai-me, à proteção de vossas asas,
9 longe dos ímpios violentos que me oprimem, *
dos inimigos furiosos que me cercam.

10 A abundância lhes fechou o coração, *
em sua boca há só palavras orgulhosas.
11 Os seus passos me perseguem, já me cercam, *
voltam seus olhos contra mim: vão derrubar-me,
12 como um leão impaciente pela presa, *
um leãozinho espreitando de emboscada.

13 Levantai-vos, ó Senhor, contra o malvado, *
com vossa espada abatei-o e libertai-me!
14 Com vosso braço defendei-me desses homens, *
que já encontram nesta vida a recompensa.

= Saciais com vossos bens o ventre deles, †
e seus filhos também hão de saciar-se *
e ainda as sobras deixarão aos descendentes.
15 Mas eu verei, justificado,a vossa face *
e ao despertar me saciará vossa presença.

– Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. *
Como era no princípio, agora e sempre. Amém. 

Ant. 3 Deus provou os seus eleitos como o ouro no crisol,

e aceitou seu sacrifício.

 

V. Tribulação e sofrimento me assaltaram.

R. Minhas delícias são os vossos mandamentos.

 

Primeira leitura

Da Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios 4,7―5,8

 

Nas tribulações manifesta-se a força de Cristo

Irmãos: 4,7 Trazemos esse tesouro em vasos de barro, para que todos reconheçam que este poder

extraordinário vem de Deus e não de nós. 8Somos afligidos de todos os lados, mas não vencidos

pela angústia; postos entre os maiores apuros, mas sem perder a esperança; 9perseguidos, mas

não desamparados; derrubados, mas não aniquilados; 10por toda parte e sempre levamos em nós

mesmos os sofrimentos mortais de Jesus, para que também a vida de Jesus seja manifestada em

nossos corpos. 11De fato, nós, os vivos, somos continuamente entregues à morte, por causa de

Jesus, para que também a vida de Jesus seja manifestada em nossa natureza mortal. 12Assim, a

morte age em nós, enquanto a vida age em vós.

 

13Mas, sustentados pelo mesmo espírito de fé, conforme o que está escrito: “Eu creio e, por isso,

falei”, nós também cremos e, por isso, falamos,14certos de que aquele que ressuscitou o Senhor

Jesus nos ressuscitará também com Jesus e nos colocará ao seu lado, juntamente convosco. 15E

tudo isso é por causa de vós, para que a abundância da graça em um número maior de pessoas

faça crescer a ação de graças para a glória de Deus. 16Por isso, não desanimamos. Mesmo se o

nosso homem exterior se vai arruinando, o nosso homem interior, pelo contrário, vai-se

renovando, dia a dia. 17Com efeito, o volume insignificante de uma tribulação momentânea

acarreta para nós uma glória eterna e incomensurável. 18E isso acontece, porque voltamos os

nossos olhares para as coisas invisíveis e não para as coisas visíveis. Pois o que é visível é

passageiro, mas o que é invisível é eterno.

 

5,1 De fato, sabemos que, se a tenda em que moramos neste mundo for destruída, Deus nos dá

uma outra moradia no céu que não é obra de mãos humanas, mas que é eterna.2Aliás, é por isso

que nós gememos, suspirando por ser revestidos com a nossa habitação celeste; 3revestidos,

digo, se, naturalmente, formos encontrados ainda vestidos e não despidos. 4Sim, nós que

moramos na tenda do corpo estamos oprimidos e gememos, porque, na verdade, não queremos

ser despojados, mas queremos ser revestidos, de modo que o que é mortal, em nós, seja

absorvido pela vida. 5E aquele que nos fez para esse fim é Deus, que nos deu o Espírito como

penhor.

 

6Estamos sempre cheios de confiança e bem lembrados de que, enquanto moramos no corpo,

somos peregrinos longe do Senhor; 7pois caminhamos na fé e não na visão clara. 8Mas estamos

cheios de confiança e preferimos deixar a moradia do nosso corpo, para ir morar junto do

Senhor.

 

Responsório Mt 5,11.12a.10

 

R. Felizes quando a vós insultarem, perseguirem

e, calúnias proferindo, disserem todo mal

contra vós por minha causa.

* Alegrai-vos e exultai,

pois a vossa recompensa no céu é muito grande.

V. Felizes os que são perseguidos

por causa da justiça do Senhor,

porque o reino dos céus há de ser deles. * Alegrai-vos.

 

Segunda leitura

Do Tratado contra as heresias, de Santo Irineu, bispo

 

(Lib. 4,20,5-7:Sch 100, 640-642.644-648)

 

(Séc.I)

 

A glória de Deus é o homem vivo;

e a vida do homem é a visão de Deus

O esplendor de Deus dá a vida. Conseqüentemente, os que vêem a Deus recebem a vida.

Por isso, aquele que é inacessível, incompreensível e invisível, torna-se compreensível e

acessível para os homens, a fim de dar a vida aos que o alcançam e vêem. Assim como

viver sem a vida é impossível, sem a participação de Deus não há vida. Participar de

Deus consiste em vê-lo e gozar da sua bondade.

Por conseguinte, os homens hão de ver a Deus para poderem viver. Por esta visão

tornam-se imortais e se elevam até ele. Como já disse, estas coisas foram anunciadas

pelos profetas de modo figurado: que Deus seria visto pelos homens que possuem seu

Espírito e aguardam sem cessar sua vinda. Assim também diz Moisés no Deuteronômio:

Nesse dia veremos que Deus pode falar ao homem, sem que este deixe de viver (cf. Dt

5,24).

 

Deus, que realiza tudo em todos, é inacessível e inefável, quanto ao seu poder e à sua

grandeza, para os seres por ele criados. Mas não é de modo algum desconhecido, pois

todos sabemos, por meio do seu Verbo, que há um só Deus Pai que contém todas as

coisas e dá existência a todas elas, como está escrito no Evangelho: A Deus, ninguém

jamais viu. Mas o Unigênito de Deus, que está na intimidade do Pai, ele no-lo deu a

conhecer (Jo 1,18).

 

Portanto, quem desde o princípio nos dá a conhecer o Pai é o Filho, que desde o

princípio está com o Pai.As visões proféticas, a diversidade de carismas, os ministérios,

a glorificação do Pai, tudo isto, como uma sinfonia bem composta e harmoniosa, ele

manifestou aos homens, no tempo próprio, para seu proveito. Porque onde há

composição, há harmonia; onde há harmonia, tudo acontece no tempo próprio; e quando

tudo acontece no tempo próprio, há proveito.

 

Por esta razão, o Verbo se tornou o administrador da graça do Pai para proveito dos

homens. Em favor deles, pôs em prática o seu plano: mostrar Deus ao homem e

apresentar o homem a Deus. No entanto, conservou a invisibilidade do Pai: desta forma

o homem não desprezaria a Deus e seria sempre estimulado a progredir. Ao mesmo

tempo, mostrou também, por diversos modos, que Deus é visível aos homens, para não

acontecer que, privado totalmente de Deus, o homem chegasse a perder a própria

existência. Pois a glória de Deus é o homem vivo, e a vida do homem é a visão de Deus.

Com efeito, se a manifestação de Deus, através da criação dá a vida a todos os seres da

terra, muito mais a manifestação do Pai, por meio do Verbo, dá a vida a todos os que

vêem a Deus.

 

Responsório Ml 2,6; Sl 88(89),22

 

R. A doutrina da verdade estava em sua boca

e não se encontrou falsidade nos seus lábios;

* Em paz e retidão comigo caminhou.

V. Estará sempre com ele minha mão onipotente

e meu braço poderoso há de ser a sua força.

* Em paz.

 

Oração

 

Ó Deus, vós concedestes ao bispo Santo Irineu firmar a verdadeira doutrina e a paz da

Igreja; pela intercessão de vosso servo, renovai em nós a fé e a caridade, para que nos

apliquemos constantemente em alimentar a união e a concórdia. Por nosso Senhor Jesus

Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Conclusão da Hora

V. Bendigamos ao Senhor.
R. Demos graças a Deus.